quinta-feira, 17 de maio de 2018

Como a ideia de "trabalho" desenvolveu-se ao longo da história e as reflexões de Durkheim, Marx e Weber sobre o tema (para os alunos da turma 2ºTA, do período noturno)

Coloco à disposição de vocês dois conteúdos trabalhados em sala de aula ao longo deste bimestre sobre o tema "trabalho", um dos mais importantes para a Sociologia.

Ao acessar o primeiro link, você verá como a ideia de "trabalho" transformou-se ao longo da história. Primeiramente, algo primitivo, quase animalesco, que deveria ser destinado exclusivamente às camadas consideradas rudes da população. Não por acaso, a palavra "trabalho" origina-se de "tripalium", um instrumento medieval de tortura. Posteriormente, após as revoluções burguesas realizadas nos séculos 17 e 18, e a revolução industrial (século 19), a ideia de trabalho começou a se transformar em algo positivo. Trabalhar, ser trabalhador, tornou-se um sinal de nobreza de caráter. A ponto de, nos dias atuais, um dos maiores xingamentos existentes em nossa sociedade se dar pelo uso da palavra "vagabundo".

Finalmente, no segundo link, você relembrará como Durkheim, Marx e Weber pensaram o tema trabalho. Em nossas aulas, vimos que Durkheim afirma que o aprofundamento da Divisão do Trabalho Social, trazido pela industrialização, gera um novo tipo de solidariedade na sociedade, a solidariedade orgânica, o que aumentaria a coesão das pessoas e tornaria a sociedade funcional, algo extremamente positivo para aquele pensador.

Em Marx, o aprofundamento da divisão do trabalho acentuaria a exploração do homem pelo homem. Aprendemos, em sala, as reflexões de Marx sobre trabalho alienado, mais-valia absoluta e mais-valia relativa.

Por fim, Weber, em sua obra clássica "A ética protestante e o espírito do capitalismo", estudou a religião para compreender por que a industrialização e o capitalismo desenvolviam-se mais aceleradamente nos países em que o protestantismo tradicional era a religião predominante.

O estudo dos materiais disponibilizados na sequência vai ajudá-los a desenvolver a atividade que será postada na sequência neste blog.

Boa leitura e bom estudo!

https://www.dropbox.com/s/704v94k0g89cbad/Trabalho%20-%20Aula%202%20e.m.pdf?dl=0

https://www.dropbox.com/s/ctf2xb3wuy5sa07/Divis%C3%A3o%20Social%20do%20Trabalho.pdf?dl=0


sexta-feira, 11 de maio de 2018

Programa "Vem pra USP!" abre inscrições para alunos de escolas públicas

O programa é uma competição que tem por objetivo incentivar os alunos das escolas públicas a estudar na Universidade de São Paulo (USP), a melhor universidade da América Latina, segundo os rankings internacionais.

As inscrições poderão ser feitas por estudantes de qualquer série do ensino médio da rede pública até 8 de junho.

A competição inclui testes online e presenciais. Os melhores colocados poderão visitar laboratórios de pesquisa da USP, terão acessos a videoaulas especiais para melhor se prepararem para o vestibular e poderão ganhar isenção da taxa de inscrição da Fuvest.

Para obter mais informações e realizar a sua inscrição no "Vem pra USP!", acesse o link abaixo.

https://jornal-usp-br.cdn.ampproject.org/c/s/jornal.usp.br/universidade/programa-vem-pra-usp-abre-inscricoes-para-alunos-de-escolas-publicas/amp/

A relação indivíduo-sociedade e os processos de socialização, para os alunos das turmas 1ºA e 1ºB, do período diurno, e 1ºTA, do período noturno

Conforme combinado, seguem os conteúdos referentes aos temas "a relação indivíduo-sociedade" e "processos de socialização", trabalhados neste segundo bimestre com as turmas das primeiras séries do ensino médio, dos períodos diurno e noturno.

Boa leitura e bom estudo!


quinta-feira, 10 de maio de 2018

Atividade de Sociologia a ser entregue no dia 7/6/18, pelos alunos do 1ºTA (noturno)

Conforme vimos em sala de aula, processos de socialização são as várias interações sociais a que somos submetidos do começo ao fim da vida e que moldam nossas formas de sentir, pensar e agir.

A família é responsável por nossa socialização primária. Escola, religiões, práticas esportivas, grupos de escotismo, interações com os vizinhos e amigos, serviço militar obrigatório e mundo do trabalho são alguns exemplos de espaços de socialização secundária a que somos submetidos.

Sendo assim, desenvolva uma redação com, no mínimo, 40 linhas, na qual você deverá, primeiramente, descrever como você é, em termos de personalidade. Em seguida, analise de que forma as interações sociais a que foi submetido ao longo da vida contribuíram para moldar as suas formas de sentir, pensar e agir. Ou seja, de que forma os processos de socialização a que foi exposto tornaram você quem você é hoje em dia.

A redação deve ser individual, pode ser manuscrita ou digitada, em nenhuma hipótese pode ser copiada de colega ou da internet e deve ter capa.

Prazo de entrega: 7/6/2018.



Atenção alunos das turmas 3ºA e 3ºB, do período diurno: orientações para a elaboração da dissertação a ser entregue no dia 23 de maio, sobre o filme "Junho, o mês que abalou o Brasil"

Com base no documentário "Junho, o mês que abalou o Brasil", assistido na sala de leitura no dia 9 de maio de 2018, desenvolva um texto com, ao menos, 60 linhas, articulando os seguintes pontos:

- Qual a sua análise sobre as manifestações realizadas no Brasil a partir de junho de 2013? (Somente para recapitular, em 2013, elas começaram com a insatisfação diante do reajuste das tarifas do transporte público, mas incorporaram vários outros descontentamentos da população; em 2015 e 2016, tivemos as grandes manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff; em 2017, ocorreram mobilizações contra as reformas da previdência e trabalhista, incluindo uma greve-geral que paralisou a região metropolitana de São Paulo por um dia).

- Manifestações pacíficas ou violentas? Qual a modalidade mais adequada de expressar o descontentamento da população? Como você avalia a atuação dos black blocs vista no filme assistido?

- Arrancar bandeiras de partidos políticos das mãos de seus militantes, como aconteceu em algumas daquelas manifestações de junho de 2013, é um gesto democrático?

- A repressão da polícia aos manifestantes, vista em várias cenas, é legítima? Em que situações?

-  Os partidos políticos continuam sendo indispensáveis para representar os cidadãos nos poderes executivo e legislativo ou seria desejável a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas? O monopólio de participação nas eleições deve ficar restrito aos partidos políticos ou poderíamos permitir, também, candidaturas independentes, como acontece nos Estados Unidos, e de movimentos sociais que têm mostrado, nos últimos anos, mais vigor e conexão com a sociedade que os partidos políticos tradicionais? Alguns exemplos dessas organizações são o Movimento Passe Livre (MPL) e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), no campo da esquerda, e o Movimento Brasil Livre e o Vem pra Rua, no campo da direita. Procure articular a sua opinião com o artigo do filósofo Vladimir Safatle, anexado ao final desta postagem. Este texto será lido e discutido em classe, nas aulas do dia 16 de maio.

O prazo para entrega da dissertação é:

3ºA e 3ºB: 23/5/18

Seu texto deverá ser individual, manuscrito e, em hipótese alguma, copiado da internet ou de algum colega. Lembre-se de colocar capa.

Para assistir novamente ao documentário "Junho, o mês que abalou o Brasil" e ler o texto mencionado anteriormente de Vladimir Safatle, acesse os links a seguir.

Bom trabalho!

https://www.youtube.com/watch?v=9qcrPve51qo

https://www.dropbox.com/s/9j6ruug2ankoaa5/Artigo%20Sem%20partido%2C%20de%20Vladimir%20Safatle.pdf?dl=0

terça-feira, 8 de maio de 2018

Abertas as inscrições para o Enem. Prazo termina em 18 de maio

Foram abertas ontem, dia 7 de maio, as inscrições para o Enem. O prazo se encerra em 18 de maio. As provas acontecerão em 4 e 11 de novembro.

Alunos da rede pública não pagam taxa de inscrição, desde que tenham pleiteado a isenção no mês de abril, quando o Inep, órgão federal que organiza o Enem, determinou que os pedidos de isenção fossem feitos. Quem perdeu o prazo ou estuda em escolas particulares deverá pagar taxa de R$ 82,00.

Para informações adicionais e realizar a sua inscrição no Enem, acesse o link abaixo, da página oficial do Inep.

https://enem.inep.gov.br

Atenção alunos do 3ºA e 3ºB (diurno): temas, grupos e datas dos seminários sobre movimentos sociais, assim como regras para o trabalho escrito

Os estudantes das turmas 3ºA e 3ºB, do período diurno, apresentarão, a partir de 23/5/18, seminários em sala de aula sobre movimentos sociais, um dos temas deste bimestre na disciplina Sociologia.

Ao final desta postagem, disponibilizei um link com os temas, grupos e datas definidos em sala de aula, conjuntamente com os estudantes.

Lembrando que os seminários deverão durar o mínimo de 20 minutos e, na apresentação oral, cada integrante do grupo receberá uma nota individual, de zero a dez, compatível com o seu desempenho.

O trabalho escrito, que deverá ser entregue no mesmo dia da apresentação do seminário, gerará uma nota coletiva, também de zero a dez, que será a mesma para todos os integrantes do grupo.

Conforme explicado em sala de aula, o trabalho escrito poderá ser digitado ou manuscrito e deverá apresentar os seguintes itens:

  • Capa
  • Introdução
  • Desenvolvimento com, no mínimo, 10 páginas
  • Conclusão
  • Referências bibliográficas

Para quem for apresentar o trabalho digitado, o trabalho deverá seguir as seguintes especificações:

  • Capa: livre
  • Introdução, desenvolvimento, conclusão e referências bibliográficas:
    • Formatação da página
      • As quatro margens com 2 cm cada
    • Títulos
      • Fonte Times New Roman de tamanho 14, com uso de negrito
    • Texto
      • Fonte Times New Roman de tamanho 12, sem negrito, com entrelinhamento de 1,5

Abaixo, conforme já informado, seguem os temas, grupos e datas de seminários de cada uma das turmas.

Bom trabalho!

https://www.dropbox.com/s/b1210y3z3k50jew/Grupos%20semin%C3%A1rios%20movimentos%20sociais.pdf?dl=0


Orientações sobre a atividade relacionada ao documentário "Junho, o mês que abalou o Brasil" (para as turmas 3ºTA e 3º TB, do período noturno)

Com base no documentário "Junho, o mês que abalou o Brasil", que assistiremos na sala de leitura da escola a partir da aula de 8 de maio, desenvolva uma redação com, ao menos, 40 (quarenta) linhas, em que você deverá abordar os seguintes pontos:

- Qual a sua análise sobre as manifestações realizadas no Brasil a partir de junho de 2013?

- Manifestações pacíficas ou violentas? Qual a modalidade mais adequada de expressar o descontentamento da população? Como você avalia a atuação dos black blocs?

- Arrancar bandeiras de partidos políticos das mãos de seus militantes, como aconteceu em algumas daquelas manifestações, é um gesto democrático?

-  Os partidos políticos continuam sendo indispensáveis para representar os cidadãos nos poderes executivo e legislativo ou seria desejável a participação direta dos cidadãos nas decisões políticas?

Os estudantes do  3ºTA e 3º TB deverão entregar a dissertação até o dia 7/6/2018 (quinta-feira). O texto deverá ser produzido individualmente, em nenhuma hipótese poderá ser copiado da internet ou de algum colega e poderá ser manuscrito ou digitado.

Para assistir novamente ao filme, clique no link ao final desta postagem.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Orientações para a entrevista a ser realizada pelos alunos das turmas 2ºA e 2ºB (período diurno) sobre imigração/migração

Seguem as orientações para o primeiro trabalho deste segundo bimestre. Você deverá conduzir uma entrevista com um imigrante ou migrante, uma pessoa que, já adulta, tenha deixado a sua nação ou Estado de origem para viver em São Paulo ou, então, um brasileiro que tenha deixado nosso país para viver em uma nação estrangeira.


Conforme debatemos em sala de aula, o imigrante e o migrante contribuem imensamente para aumentar a diversidade cultural em nosso país. Isso é notável na cidade em que vivemos, São Paulo, lugar que tem atraído milhões de pessoas de outras nações e regiões do Brasil desde o final do século 19.

No contexto do que discutimos e aprendemos desde o início do ano, a entrevista tenderá a ser mais interessante (e melhor avaliada) quanto mais elementos da lógica "estabelecidos e outsiders" (Norbert Elias) estiverem presentes no relato do entrevistado, assim como elementos da noção de "estrangeiro", para Georg Simmel.

Você deverá realizar a sua entrevista preferencialmente (mas não obrigatoriamente) com alguém conhecido (familiar, amigo, colega). A vantagem de entrevistar alguém conhecido é que você poderá selecionar uma pessoa com quem tenha mais intimidade e que, provavelmente, ficará mais à vontade para falar detalhadamente sobre o próprio processo de imigração/migração e sobre como foi a adaptação por aqui.

Para realizar a entrevista, você deverá usar como base o seguinte roteiro:

1) Como se deu a sua imigração/migração? Por que resolveu deixar a terra natal?

2) Veio sozinho ou veio com a família?

3) O que você sabia da cidade (ou Estado ou país) para a qual se dirigia?

4) Há quanto tempo está no bairro (ou cidade) para o qual se dirigiu?

5) Sentiu-se um estrangeiro, uma pessoa de fora, ao chegar? Que situações mais o fizeram se sentir um estrangeiro, uma pessoa de fora?

6) Foi vítima de alguma discriminação, preconceito ou violência quando chegou? Ainda é? Em que situações isso ocorreu ou ainda ocorre?

7) Quais foram as suas maiores dificuldades de adaptação ao novo lugar?

8) Quando chegou aqui, estabeleceu-se sozinho ou procurou morar perto de outros conterrâneos que já haviam chegado aqui antes, para facilitar o processo de 
adaptação?

9) Ainda se sente um "estrangeiro"?

10) Já pôde voltar ao seu local de origem, mesmo que apenas de férias? Como foi a sua volta?

11) Já sentiu vontade de voltar definitivamente ao seu local de origem? Se sim, por que resolveu permanecer aqui?

12) Se voltou definitivamente ao local de origem, por que voltou?

13) Quando retornou ao seu local de origem, mesmo que seja apenas de férias, sentiu-se um estrangeiro também lá? Sua readaptação foi fácil?

14) Que hábitos você continua mantendo do seu local de origem e que hábitos daqui você incorporou, desde que chegou?

Além das 14 questões acima, você pode incluir quantas quiser, desde que estejam relacionadas com os assuntos abordados em sala de aula. Deixe a sua criatividade correr solta. Às vezes, uma resposta do entrevistado pode despertar no entrevistador várias outras questões. Peça sempre que o seu entrevistado se aprofunde nas respostas. Frequentemente, as pessoas limitam-se a responder "sim" ou "não" às perguntas. Incentive, portanto, o seu entrevistado a desenvolver mais as suas respostas.

Se tiver a possibilidade, grave a entrevista e depois a transcreva para o papel, para não perder nenhum detalhe das respostas do entrevistado.

A entrevista que você entregará ao professor poderá ser manuscrita ou digitada e o seu trabalho será individual. Lembre-se de escrever uma introdução que apresente o entrevistado, qual a sua vinculação com ele (familiar, amigo, vizinho, alguém indicado por um conhecido, etc.), o local da entrevista e a data de sua realização. O seu trabalho deverá ser entregue ao professor na seguinte data:

A (manhã): 16/5/18
2ºB (tarde): 15/5/18

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Análise sobre a obra "Os estabelecidos e os outsiders", de Norbert Elias e John Scotson, para os alunos das turmas 2ºA e 2ºB, do período diurno

Outsider, em uma livre tradução, significa “aquele que é ou vem de fora”, enfim, aquele que originalmente não faz parte de um determinado meio e é estigmatizado por isso.

Foi o sociólogo Norbert Elias (1897-1990) o formulador da relação “estabelecidos e outsiders”, que vem sendo utilizada pela Sociologia desde então para analisar várias situações em que um grupo humano estigmatiza e discrimina outro.

Nascido em Breslau, na época pertencente à Alemanha (hoje, a cidade faz parte da Polônia), Elias escreveu um livro clássico na Sociologia, em parceria com John Scotson, chamado “Os estabelecidos e os outsiders” (1965), fruto de uma pesquisa realizada por ambos para investigar as tensões existentes em uma pequena cidade inglesa (no livro, batizada com o nome fictício de Winston Parva).

Inicialmente, Elias e Scotson pretendiam estudar as diferenças nos níveis de delinquência registrados em dois bairros, o mais tradicional e o mais novo de Winston Parva. No decorrer da pesquisa, mudaram o foco de análise. Isso aconteceu porque, embora as diferenças nos níveis de delinquência praticamente não existissem, quando comparados os dois bairros, o bairro mais tradicional continuava classificando o mais novo como local violento. O estudo permitiu, portanto, identificar um tema universal: como um grupo estabelecido estigmatiza um outro grupo, tratando-o como outsider.

Se dos pontos de vista urbanístico, arquitetônico, econômico, étnico, educacional e religioso a zona 3 era muito parecida com a zona 2, o fato de a zona 3 reunir moradores que chegaram aos poucos, especialmente durante a Segunda Guerra e após os bombardeios realizados pelos alemães em Londres, fez com que seus moradores levassem uma vida autônoma marcada pela reserva, sem muitas relações sociais e sem os fortes vínculos que caracterizavam a zona 2 e determinavam as condutas de seus habitantes.

Considerados, por seu estilo de vida, como uma ralé pelos moradores da zona 2, alguns habitantes da zona 3 demonstravam ressentimento – especialmente os jovens, que muitas vezes provocavam arruaças e tinham problemas com a lei – e outros acabavam por reconhecer como legítimas as discriminações que sofriam. A zona 3 ainda tinha uma minoria de casas bastante pobres, habitadas por pessoas mais rudes e barulhentas, que frequentemente se envolviam em problemas com a polícia. Injustamente, o comportamento de uma minoria era tomado como se fosse da maioria. Muitos dos moradores da zona 3 ouvidos por Elias e Scotson manifestaram o interesse de deixar o bairro, um comportamento diametralmente oposto ao registrado na zona 2, cujos moradores só imaginavam deixar o bairro se fosse para se mudar para a zona 1.

Por considerar o seu estilo de vida muito superior ao dos outsiders, os estabelecidos colocam-se em posição de superioridade, assim como o bairro em que vivem. Recém-chegados, sem vínculos sociais e acuados, resta aos outsiders o ressentimento (ou a resignação).

Os estabelecidos consideram-se humanamente superiores aos outsiders (em toda relação de preconceito está implícita a ideia de superioridade). Os estabelecidos recusam-se a ter qualquer outro tipo de contato com os outsiders que não seja profissional. Razões que podem fazer com que o primeiro grupo hostilize o segundo: diferenças socioeconômicas, de classe, de religião, étnicas, raciais, de estilos de vida, costumes, etc. Notem que o preconceito, no caso, não é individual, é coletivo, é como se os outsiders fossem portadores de uma desonra grupal.

Resumo da pesquisa conduzida por Elias e Scotson
A cidade inglesa de Winston Parva era composta por três zonas, chamadas no estudo de zonas 1, 2 e 3. Na zona 1, quase a totalidade das famílias era de classe média (em suas bordas, havia algumas poucas residências proletárias), o nível de escolarização era mais alto e as casas eram mais amplas e tinham um padrão nitidamente superior às existentes nas zonas 2 e 3.

Além disso, havia empresários residindo no local, bem como profissionais tecnicamente mais qualificados, como engenheiros. As famílias tinham poucos filhos e mantinham uma certa atitude de distanciamento em relação à vizinhança, característica marcante de pessoas que passaram pelo aburguesamento dos modos: as pessoas frequentavam pouco as casas umas das outras e nunca sem antes avisar, tinham reduzida atuação social, eram contidas, discretas, silenciosas, circunspectas. Como algumas dessas famílias eram originárias da zona 2 e mudaram-se para a zona 1 quando ascenderam socialmente, passaram a ser admiradas pelos moradores da zona 2. Por fim, a criminalidade era baixa e os jovens não tinham problemas com a Justiça.

As zonas 2 e 3 apresentavam muitos aspectos semelhantes. Eram bairros proletários, formados basicamente por mão-de-obra operária, as famílias tinham mais filhos e o nível educacional era significativamente mais baixo que na zona 1 (os bairros das zonas 2 e 3 abrigavam desde operários mais qualificados até trabalhadores braçais). Não havia diferenças étnicas, religiosas, econômicas e educacionais marcantes entre os moradores das zonas 2 e 3. Porém, como os moradores da zona 2 chegaram à Winston Parva no início da constituição da localidade, criaram fortes laços sociais e uma impressionante coesão interna. Apresentavam um nível intenso de interação, que se aprofundava à medida que muitos dos casamentos aconteciam entre integrantes das famílias do bairro, fazendo com que a zona 2 ganhasse a conformação de uma “grande e única família”.

Essa coesão criava princípios rígidos de conduta, cuja obediência proporcionava status a quem andava na linha e a desobediência condenava o “desviante” ao ostracismo e a todo tipo de recriminações públicas ou veladas, por meio das fofocas. Esses fortes laços resultavam em um ambiente de grande vigilância de uns sobre os outros, mas também era eficaz na resolução de problemas dos seus membros. As famílias pioneiras, as que chegaram no início da conformação do bairro, tinham ainda uma forte ascendência moral sobre todos.

Embora Elias tenha mencionado que aos olhos de um forasteiro as zonas 2 e 3 fossem bairros bastante semelhantes, tanto na configuração das ruas e de suas casas simples, como nas características étnicas, religiosas, educacionais e econômicas, os habitantes da zona 2 eram orgulhosos do bairro em que viviam e repetidamente manifestavam a sua percepção de grande superioridade em relação aos moradores da zona 3. Na zona 2, ainda havia algumas poucas residências de classe média, o que aumentava a sensação de orgulho dos moradores por seu bairro.

Basicamente, portanto, a diferença entre as zonas 2 e 3, segundo Elias, era a forte coesão social e os intensos vínculos de uma vida conjunta presentes na zona 2, bairro que também concentrava grande parte das igrejas, clubes, associações e pubs de Winston Parva, equipamentos que colaboravam para o fortalecimento desses vínculos. A coesão dava mais poder aos moradores da zona 2, que, sentindo-se ameaçados pelos outsiders, rechaçavam este grupo. O embate trata-se, assim, de uma luta por poder. A pesquisa também evidencia que grupos organizados podem alcançar mais facilmente o poderA coesão é alcançada quando ocorre a total aceitação das regras do grupo por seus integrantes.

O choque de estilos de vida proporcionava a forte discriminação dos moradores das zonas 1 (de forma mais branda) e 2 (muito intensa) em relação aos moradores da zona 3, que eram vistos como rudes, sujos, barulhentos, promíscuos, beberrões, desonestos e arruaceiros pelos demais moradores de Winston Parva.

Que tipo de luta se desenvolve entre grupos estabelecidos e grupos outsiders?
Tomando por referência o embate descrito por Norbert Elias no livro “Os estabelecidos e os outsiders”, trata-se, na ótica dos atores participantes, da luta dos limpos, bons, justos, ordeiros, trabalhadores, enfim, “superiores” contra os sujos, promíscuos, beberrões, vagabundos, arruaceiros, favelados, “inferiores”.

Na verdade, se formos tomar Winston Parva como referência, é uma luta muito mais dos estabelecidos contra os outsiders do que vice-versa. Até porque só os estabelecidos têm coesão interna, vida comunitária intensa e fortes relações sociais para atuar como grupo. Os outsiders seriam caracterizados pela baixa integração. Por isso mesmo, sofrem toda a sorte de ataques e não conseguem revidar.

É uma luta de estilos de vida, de comportamentos sociais, para que desse embate seja feita uma hierarquização da sociedade, com diferenciação de status, assim como Norbert Elias já havia mostrado na obra “O processo civilizador”. Isso fica claro porque no livro “Os estabelecidos e os outsiders” os bairros de onde surgem e para onde se direcionam os ataques são habitados por famílias de operários, marcadas por grande uniformidade econômica, educacional, religiosa e étnica. 

O que os diferenciam são a intensa vida comunitária, o grau de coesão interna construído ao longo de várias gerações na zona 2 e os fortes vínculos sociais e familiares, elementos que criam rígidas normas de conduta privadas e coletivas e punições implacáveis a quem se desgarra das normas. Os embates ocorridos na pequena cidade inglesa de Winston Parva servem, para Norbert Elias, como microcosmo para a compreensão do funcionamento da sociedade de forma geral.

Comportamentos típicos de grupos estabelecidos e grupos outsiders
De acordo com Norbert Elias, os estabelecidos seriam caracterizados por uma forte coesão social, estruturada em vínculos bastante rígidos que criariam um sistema geral de fiscalização de condutas. Esse sistema premiaria as atitudes consideradas positivas por esse grupamento de pessoas e puniria os desviantes com a perda de status na comunidade, o ostracismo e o ataque à reputação por meio de fofocas e difamações veladas.

Os vínculos, no caso da zona 2, foram estabelecidos pela antiguidade da comunidade – chegaram ao bairro quando ele começara a se formar –, pela composição familiar (casamentos entre integrantes das famílias do bairro fizeram com que surgisse, na verdade, uma grande família) e pela intensa vida social e comunitária em igrejas, associações, clubes e pubs.

Já os outsiders seriam caracterizados por uma vida sem vínculos sociais com a comunidade e por um estilo de vida basicamente marcado pela baixa coesão. Se na zona 1 de Winston Parva a atitude de reserva era vista como sinal de distinção, educação diferenciada, discrição e aburguesamento dos modos, no “beco dos ratos” (zona 3) a mesma atitude de reserva era vista como fragilidade de caráter, sinal de desonestidade, decadência moral e toda sorte de comportamentos desprezíveis. Ou seja, a incompatibilidade de estilos de vida é que faz um grupo ganhar o status de estabelecidos ou o estigma de outsiders.

Elias parte da análise das relações entre os moradores das três zonas de Winston Parva não apenas para identificar os estabelecidos e os outsiders na cidade industrial inglesa, mas também para compreender as características que tornam determinados grupos como estabelecidos e outsiders em sociedades dos mais variados tipos. Winston Parva funciona como um pequeno laboratório para tirar conclusões mais abrangentes sobre o funcionamento da sociedade de forma geral.

Autor: Ricardo Lugó